Postado em 15 de Setembro às 16h15

Saúde mental: o que as empresas podem fazer

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P&P Consultoria - Desenvolvimento Humano e Organizacional O que é saúde mental? Fala-se muito sobre a saúde mental, uma vez que os distúrbios atingem milhares de pessoas e podem trazer muitas...

O que é saúde mental?

Fala-se muito sobre a saúde mental, uma vez que os distúrbios atingem milhares de pessoas e podem trazer muitas consequências negativas para elas e para a sociedade. Em conceito, saúde mental é a qualidade de vida em relação à cognição e ao equilíbrio emocional.

Ou seja, saúde mental é estar bem com os outros e consigo mesmo. Aceitar, saber lidar e administrar as situações, emoções e adversidades que a vida apresenta sem comprometer a si mesmo e aos outros.

É uma vertente muito importante da saúde e fundamental para a qualidade de vida de qualquer pessoa. Por isso, as empresas precisam agir e garantir a saúde mental, principalmente por meio de ações de caráter preventivo, e promover, assim, um ambiente de trabalho leve e saudável.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “o trabalho é bom para a saúde mental, mas um ambiente de trabalho negativo pode levar a problemas de saúde física e mental. Depressão e ansiedade têm um impacto econômico muito significativo para toda a economia global”.

Qual a situação da saúde mental da população brasileira?

Os transtornos mentais já são a 3a causa de perícias médicas no INSS, e a depressão, um desses transtornos, ocupa a primeira posição. Acredita-se que os transtornos mentais venham a ser a primeira causa de afastamentos no INSS em um curto prazo, talvez em menos de 10 anos. 

Vivemos em uma sociedade de competição, multifuncionalidade e rivalidade, na qual impera a cultura do ter, onde perder é inaceitável. A competição, quando não é saudável, traz graves danos à saúde mental.

Pesquisa realizada no ano de 2012 pela PLosONE já revelava a Grande São Paulo como a metrópole que apresenta a maior prevalência (número de casos) de transtornos mentais no mundo. Cerca de 30% da população sofre de algum tipo de transtorno mental, e um terço apresenta alguma alteração considerada grave pelos especialistas.

Avaliação recente conduzida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) ??mostra que “mais de quatro em cada 10 brasileiros tiveram problemas de ansiedade”. As estatísticas internacionais também são preocupantes: o estresse relacionado ao trabalho é o segundo problema de saúde mais frequentemente referido na Europa — após as perturbações musculoesqueléticas.

Na verdade, cerca de metade dos trabalhadores considera comum situações assim no seu local de trabalho. Nesse sentido, sabe-se que entre 50% e 60% de todos os dias de expediente perdidos podem ser imputados ao estresse relacionado ao trabalho.

Quais as principais causas de problemas de saúde mental em trabalhadores?

Acreditamos muito na influência da vida pessoal na saúde mental. Um filho usuário de drogas, por exemplo, poderá desestabilizar uma família inteira.

Porém, instituições sérias, como a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, enumeram algumas condições de trabalho que podem conduzir a riscos psicossociais e afetar a saúde mental. São elas:

  • volumes de trabalho ou limitações temporais excessivas;
  • exigências contraditórias;
  • falta de clareza quanto ao papel do trabalhador;
  • comunicação deficiente;
  • uma mudança organizacional mal gerida.

Numa recente sondagem europeia sobre a saúde mental, conduzida pela Occupational Safety and Health Association (OSHA), as causas mais comuns de estresse relacionadas ao trabalho foram:

  • a reorganização do trabalho ou a insegurança laboral (72% dos inquiridos);
  • os extensos horários de trabalho ou o volume de trabalho excessivo (66%);
  • a intimidação (o famoso bullying) ou o assédio no trabalho (59%).

A mesma sondagem mostrou que cerca de quatro em cada 10 trabalhadores pensam que o estresse não é devidamente abordado no seu local de trabalho. O ordenamento do trabalho e o ambiente organizacional devem ser os principais pontos observados, para garantir que a individualidade de cada colaborador seja considerada pelas lideranças.

Além disso tudo, a ocorrência da pandemia de Covid-19 ampliou ainda mais esse quadro. A mesma publicação da OPAS referida anteriormente destaca “o efeito devastador da pandemia de Covid-19 sobre a saúde mental e o bem-estar das populações das Américas, bem como o impacto da interrupção de serviços em toda a região”.

É importante considerar que fatores como o isolamento social e a falta de acesso aos serviços de aconselhamento e de atendimento presencial, assim como o fechamento de escolas, não apenas aumentaram a incidência de danos à saúde mental, mas impediram o adequado suporte.

Ao mesmo tempo, o documento considera, ainda, o impacto na saúde mental de populações vulneráveis, por exemplo:

  • jovens;
  • mulheres;
  • pessoas com transtornos mentais pré-existentes;
  • trabalhadores da saúde;
  • trabalhadores da linha de frente;
  • pessoas com menor condição socioeconômica.

Segundo a OPAS, esses foram os grupos mais gravemente afetados pelas frequentes interrupções nos serviços de suporte à saúde mental.

Quais os riscos do descuido com a saúde mental dos colaboradores?

Considerados os males do século, a ansiedade e o estresse são os grandes causadores do surgimento de doenças psicológicas, como a síndrome de burnout. Esses problemas podem ser evitados por meio de programas de prevenção.

Um bom programa serve para orientar os colaboradores e ajudá-los a enfrentar a grande pressão do trabalho, desassociando as questões laborais das relações pessoais. Na ausência de cuidados, uma equipe insatisfeita, que conserve uma carga negativa por muito tempo, tende a apresentar um comportamento dispersivo e desengajado.

Por outro lado, um funcionário feliz e saudável mentalmente é mais propenso a prosperar na vida pessoal e no trabalho, desempenhando suas funções com qualidade e ótima relação com a equipe. Na verdade, opera como referência para as iniciativas que buscam resgatar o equilíbrio entre os aspectos profissional e pessoal.

Assim, para a empresa atingir seus objetivos, é importante a preocupação com a saúde mental dos trabalhadores, a fim de proporcionar um ambiente interativo e livre de julgamentos, para que cada um se posicione da melhor maneira possível. Qualidade de vida é o objetivo de todos, inclusive no trabalho.

Nesse sentido, é preciso dividir o espaço, trocar ideias, idealizar projetos, solucionar problemas e comemorar resultados. Essas iniciativas constituem alguns dos aspectos que devem ser divididos e compartilhados para abranger o coletivo e evitar sobrecarga.

Um clima organizacional agradável e saudável favorece o melhor desempenho e aprimora as relações entre funcionários. Além disso, é um excelente meio de fomentar o desempenho para que sejam alcançadas as metas da empresa e, até, para reduzir o índice de acidentes no trabalho.

Para além dos benefícios já citados, o cuidado com a saúde mental dos colaboradores se reflete diretamente nos resultados. Desse modo, investir na prevenção de doenças que afetam a mente é garantir a motivação e a qualidade de vida, o que é bom para os funcionários e para toda a organização.

Por sua vez, os riscos psicossociais decorrem também de um contexto social pouco saudável, muito comum na vida das pessoas, incluindo situações em que existem:

  • falta de apoio da administração ou dos colegas;
  • relações interpessoais difíceis;
  • assédio, agressão e violência;
  • dificuldade em conciliar os compromissos laborais e familiares.

Ainda, os contratos de trabalho precários e a instabilidade no emprego também contribuem para os riscos psicossociais, assim como as novas formas de contrato de trabalho e o envelhecimento da população trabalhadora.

Qual o impacto da saúde mental nos custos da empresa?

Para qualquer atividade, o impacto da saúde mental nos custos empresariais é elevado e deve ser levado em consideração. Um funcionário deprimido aumenta os índices de absenteísmo e onera mais os planos de saúde. Além disso, suas relações interpessoais se tornam piores, resultando em redução da sua produtividade.

Habitualmente, as ausências relacionadas com o estresse tendem a ser mais prolongadas do que as que têm outras causas. O The Wall Street Journal escreveu que as corporações estão começando a perceber que a saúde mental talvez seja uma importante fonte de despesas.

O acompanhamento do profissional que tem a saúde mental debilitada, muitas vezes, requer a mudança de função ou de atividade. Deslocar um funcionário pode exigir da empresa um investimento considerável em treinamento e adaptação, além dos custos com a redução na produção nesse período.

O absenteísmo alto gera custos imensos para as organizações, tanto na reposição da atividade, como nos cuidados com o funcionário, como medicações e exames. Além disso, deve-se levar em conta que o retorno desses indivíduos ao trabalho deverá ser saudável, seguro e gradual.

Dependendo do tipo de função e do tempo de ausência, o funcionário afastado terá que ser substituído, para não comprometer as atividades e a entrega. Assim, existem, ainda, os custos envolvidos desde o processo seletivo até as despesas de rescisão do contrato temporário.

Que benefícios resultam do investimento em saúde mental na empresa?

Todo gestor sabe que os colaboradores de uma empresa constituem o seu maior patrimônio. Mas, nesse caso, trata-se de um patrimônio que, para funcionar bem, necessita estar bem, o que envolve aquele amplo conceito de saúde da OMS.

E é justamente aqui que entra em cena a importância da saúde mental e as vantagens que oferece quando garantida. Além do bem-estar do próprio colaborador, descubra quantos benefícios resultam do cuidado com a saúde mental na empresa. Acompanhe.

Queda do absenteísmo

Um dos primeiros benefícios que podem ser observados ao se investir na saúde mental dos colaboradores é a redução do absenteísmo. Essa é uma constatação comum, uma vez que os desequilíbrios e carências que caracterizam a ausência de saúde mental estão entre as principais causas das faltas observadas.

Aumento do engajamento dos colaboradores

O cuidado com a saúde mental dos colaboradores, sobretudo quando se aprimora o clima organizacional, promove uma crescente melhoria na autoestima do indivíduo. Sentir-se bem na empresa e perceber as iniciativas positivas que são tomadas, cria um ambiente propício ao engajamento.

Atração e retenção de talentos

As organizações que promovem a valorização dos seus colaboradores e traduzem essa preocupação em iniciativas concretas costumam reter mais facilmente seus talentos. Quando essas medidas se refletem na imagem da empresa, não apenas os bons profissionais são mantidos, mas outros são atraídos.

Redução do turnover

Do mesmo modo que a retenção de talentos traduz uma política de cuidado com os trabalhadores, a relevância da saúde mental desde o início reduz o turnover na empresa. Assim, desde a elaboração de processos seletivos até a contratação e treinamento, aprimoram-se os procedimentos com profissionais mais ajustados.

Diminuição dos custos envolvidos em afastamentos por saúde

Os afastamentos resultantes de questões de saúde oneram a empresa sob diferentes formas, diretas e indiretas. Podem-se levar em conta as despesas médicas diretas, os medicamentos e a evolução da sinistralidade no plano de saúde da empresa, mas também as despesas com reposição de colaboradores e perdas de produtividade.

Que ações preventivas a empresa pode adotar para evitar problemas de saúde mental?

Para muitas pessoas, o ambiente de trabalho é torturante, com muitas cobranças, pressão e líderes pouco compreensíveis e autocráticos. Uma tal situação origina péssimas relações profissionais, que, além de comprometerem o desenvolvimento da equipe, podem gerar situações desagradáveis.

Problemas como dúvidas na função, má gestão, comunicação ruim e assédio psicológico e sexual em ambientes insalubres, são alguns exemplos encontrados no meio empresarial. Quando se acumulam, favorecem a perda de equilíbrio da pessoa, acarretando grandes distúrbios na saúde e dificuldades profissionais.

Uma excelente alternativa para prevenir esses problemas é promover programas e palestras que tratem da medicina preventiva sobre a saúde mental. Ao mesmo tempo, os esforços devem estar direcionados para envolver todos os colaboradores e apresentando novos conceitos, como o do biofeedback.

A saúde mental é um tema que deve ser apresentado com frequência para estimular a participação de todos. É um assunto a ser tratado rotineiramente para evitar que os profissionais se isolem e alimentem uma dor silenciosa.

Além disso, é importante abordar assuntos, como:

  • a relevância de uma alimentação saudável;
  • a importância de se evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • os motivos de se evitar o tabagismo;
  • o incentivo à prática de atividades físicas;
  • a reeducação alimentar.

Um canal aberto, com diálogos constantes e interação entre os profissionais da empresa, pode contribuir para aliviar a pressão do dia a dia no trabalho e tornar as relações mais empáticas.

Todos têm papel importante nas ações preventivas para evitar problemas de saúde mental — empregador, equipe, gestores e líderes — e no desenvolvimento de medidas de controle do ritmo de trabalho, sempre pensando em metas alcançáveis em tempo hábil.

Para isso, é fundamental treinar a liderança para aprimorar as relações pessoais e promover iniciativas que reduzam o estresse dos colaboradores e os conflitos pessoais — momentos de descontração, ginásticas laborais, pausas e, até mesmo, mudanças estruturais no ambiente.

O conjunto das ações preventivas aqui referidas pode ser operacionalizado por meio de medidas práticas, como as demonstradas a seguir. Acompanhe.

Implemente um programa de saúde mental

Depois de identificar as características da sua empresa e de seus colaboradores, implante um programa de saúde mental próprio e que se incorpore ao planejamento estratégico da organização. Faça uso da criatividade, escute seus pares, mas considere opções que garantam a saúde mental e o bem-estar de sua equipe.

Ofereça benefícios

A própria natureza dos benefícios constitui um esforço da empresa no sentido de valorização do colaborador. Assim, construa seu programa de saúde mental englobando os benefícios que sua companhia pode oferecer com foco nesse cuidado, ou seja, privilegiando a atenção com o bem-estar.

Incentive atividades físicas

Atividades físicas fomentam a saúde e promovem boas sensações. Se a empresa conseguir facilitar para que o colaborador adote práticas físicas, mesmo uma simples caminhada, já terá dado um grande passo. Promova apresentações e palestras sobre o assunto.

Apoie e valorize as iniciativas dos colaboradores

Descubra se existe entre os colaboradores alguma iniciativa condizente com a promoção da saúde mental. Se não houver, incentive e apoie as manifestações que ocorrerem. Valorize atitudes nesse sentido, mesmo que sejam realizadas fora da empresa. Lembre-se: você está valorizando seus colaboradores.

Invista em soluções tecnológicas

A comunicação virtual, por exemplo, pode e deve ser utilizada institucionalmente para aproximar as pessoas e, até, para promover eventos. Muitas vezes, formam-se grupos que não interagem, mantendo-se cada um exclusivamente no seu nicho. Use a tecnologia para minimizar essa realidade.

Considere a contratação de consultorias

Empresas especializadas em bem-estar, em construção de clima organizacional e com especialistas em saúde mental fazem toda a diferença. A experiência facilita o acerto desde a primeira vez. Você não precisa ficar fazendo experiências quando pode encurtar o caminho com resultados profissionais.

Na verdade, uma consultoria especializada é capaz de avançar e oferecer soluções como a capacitação em Primeiros Socorros em Saúde Mental. Com isso, a organização consegue preparar lideranças e outros colaboradores proativos em socorristas capazes de atender demandas imediatas dos próprios colegas.

Muitas vezes, passamos por turbulências na vida profissional, e isso é muito comum. É justamente nesses momentos que os diálogos e programas de prevenção devem entrar em ação, ressaltando a importância de falar sobre o assunto, com interferência, inclusive, de um profissional especializado.

Ainda que o controle emocional e mental seja individual, promover um ambiente favorável à saúde mental é uma tarefa coletiva e parte fundamental para a qualidade de vida do ser humano. Portanto, investir em programas de prevenção e de promoção da saúde mental demonstra o interesse da empresa em alcançar os objetivos e as metas.

 

Fonte: [BEECORP - BEM ESTAR CORPORATIVO - Felipe Lacerda]

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